Mensagem do Consulado Austríaco

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Com grata satisfação, publicamos a mensagem da Sra. Anna Lindner von Pichler, cônsul austríaca para o estado de Santa Catarina:

Prezado Prof. Dr. Everton Altmayer e Eng. Misael Dalbosco! Parabéns pela iniciativa e criação do projeto “Tiroleses no Brasil” em comemoração aos 140 anos de imigração tirolesa no Brasil.

Adorei o tema abordado, muito esclarecedor e sobretudo baseado em fatos verídicos que são pouco divulgados mas que tem um grande peso no contexto geral da história destes imigrantes.

Recebam meus cumprimentos com votos de muito sucesso na continuidade deste importante projeto.

Anna Lindner von Pichler

Cônsul Honorária da Áustria para Santa Catarina

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Anna Lindner von Pichler é filha do imigrante tirolês Franz Lindner, nascido na pequena cidade de Vahrn/Vara, atualmente na Província Autônoma de Bolzano/Bozen (Itália).

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Anna Lindner von Pichler, cônsul da Áustria, com a bandeira do Tirol.

O imigrante Franz (Francisco) Lindner foi um renomado industrial no meio-oeste de Santa Catarina. Nasceu em uma família de músicos e inventores e herdou o talento de seu pai, Franz Lintner, que se transferiu para o Tirol Setentrional após o final da Primeira Guerra Mundial (quando o Tirol Meridional foi anexado pela Itália).

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Os Lindner: uma família de músicos.

Franz Lindner chegou no Brasil em 1933, juntamente com outros imigrantes tiroleses (da Áustria e da Itália) que fundariam a colônia Dreizehnlinden (atual cidade de Treze Tílias). Chegou no transporte “Principessa Maria” e se instalou no meio oeste catarinense. A colonização tirolesa em Treze Tílias, chefiada pelo então ministro da agricultura austríaco, o tirolês Andreas Thaler é a imigração mais recente de tiroleses no Brasil, ocorrida após a Primeira Guerra e antes do segundo conflito mundial que devastou a Europa.

Programa cultural do Navio Principessa Maria que trouxe os imigrantes tiroleses em 1933.

Programa cultural do Navio Principessa Maria que trouxe os imigrantes tiroleses em 1933.

O Blog Tiroleses no Brasil agradece a mensagem de incentivo da cônsul austríaca, que entendemos ser uma demonstração de vivo interesse pela história dos imigrantes tiroleses.

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8 comentários sobre “Mensagem do Consulado Austríaco

  1. O associativismo ítalo brasileiro e trentino atuante no Estado Catarinense, do qual faço parte, cumprimenta os idealizadores deste importante projeto e coloca-se a disposição para concretizar a troca de informações e experiências que depende das nossas ações para se tornar realidade. Aproveito para recomendar a participação dos coordenadores deste projeto no próximo encontro de associações ítalo brasileiras e trentinas que será realizado no próximo ano aqui em Florianópolis, ocasião em que tornar este assunto melhor inserido na comunidade. No momento oportuno entraremos em contato para encaminhar a programação do evento. Atenciosamente , João Andreata de Souza – Pres. Unione Italiana Familia Trentina de Florianópolis.

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  2. Prezado Sr. Souza:
    Agradecemos pela mensagem. Sinta-se sempre à vontade para consultar nosso blog que se dedicará à história da imigração tirolesa, hoje chamada “trentina” e, portanto, austríaca (se anterior a 1918), bem como aos aspectos sociais e culturais à ela ligados e que, naturalmente, estão relacionados a outras imigrações, como a italiana, a alemã, a portuguesa etc. Agradecemos desde já pelo convite e desejamos bom trabalho à vossa associação italiana.

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  3. Olá Everton, Sou Maria Alice, prima irmã de sua mãe, filha da Aurea. Parabéns pelo seu trabalho de resgate da história de seus ancestrais. Gostaria de lhe perguntar se sua busca foi pela família de nossa avó, Dell Antonia, ou se por parte de seu pai também . Há tempos estive procurando , na região que minha mãe falava ser a origem da família, hoje região da Itália, mas não consegui chegar a termo. Ficaram de me enviar informações mas, na verdade nem responderam mais. Vi que na região Dell Antonia é quase os Silva do Brasil. Se você tiver tempo e souber me dizer eu lhe agradeço muito . Mais uma vez, parabéns e um beijo.

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    • Olá, Maria Alice.
      Obrigado pelo comentário. Neste Blog não faremos buscas familiares, mas nos propomos a tratar da imigração tirolesa (principalmente antes de 1918, quando todo o Tirol estava unido com a Áustria). Estive em 2011 e 2012 fazendo algumas pesquisas por lá, procurando informações sobre alguns sobrenomes (inclusive do meu lado paterno, e consegui achar coisas interessantes). Sobre os Dell’Antonia da nona, são da região de Primiero (al. Primör) e eram saídos de Mezzano. Hoje, o sobrenome já não é tão comum no local de origem, mas existe nas redondezas e, principalmente, em Fiera e Imèr (no mesmo vale). Cheguei a olhar na lista telefônica, porque o dono de um restaurante ficou curioso e quis ajudar. Alguns poucos ainda estão lá, mas seriam parentes de longe (netos e bisnetos de primos). Não chegava a ser um “Silva” no Primiero, mas já foi mais numeroso. Existe, ainda, a variação Dell’Antonio no vizinho Val di Fassa (que não sei se seriam parentes longínquos, mas, ali, eles falam o idioma ladino, que lembra o retorromanche suíço). No caso nosso, os Dell’Antonia eram do ramo que se casou com membros das famílias Trettel e Vasselai, também de Mezzano. O antepassado Vittorio (tb. Viktor) Dell’Antonia era casado com a saudosa ‘Menota’ (Domenica Trettel). Há bastantes Dell’Antonia em Nova Trento, mas não sei se seriam “primos”.

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  4. Estou apenas lendo o seu blog e imaginando uma coisa que é clara e ninguém no Brasil sabe. Estou a dois meses no Südtirol e não se ouve o italiano nas ruas…somente um alemão com sotaque carregado tipo bávaro. Muitos Pichler, Fischnaller, Volgger, Egger e por ai vai são os sobrenomes que vejo nas pousadas ou até escritos nas paredes das casas com o familien escrito antes. O südtirol é bilingue e todos que aqui estudam sabem os dois idiomas italiano e alemão. O que posso notar é que: a região de Trentino é cuja “capital” é Trento é extramente italiana em língua. A aparência é medieval mas é mais puxado hoje para o italiano. O südtirol é bilingue em toda sua extensão mas vejo que de Bolzano/Bozen para baixo é maior parte italiano apesar de a aparência das ruas e casas ser bem mais austríacas….agora acima de Bolzano e é onde AMO de paixão é maioria alemã nas ruas e a aparência extrema germânica austríaca… as cidades citadas nos textos: Varhn, Brixen, Bruneck, Terenten, Mühlbach, Brenner, Sterzing, Neustift, Naz-Schabs e muitas outras são realmentes muitooo lindas…o vale de Eisacktal e da Pustertal são de uma beleza absurda…nunca vi paisagens tão lindas

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    • Caro Fernando.
      Gratos por seu comentário. A região do Tirol Meridional (hoje dividida em duas províncias autônomas: Trento e Bolzano) é de uma riqueza cultural e arquitetônica que podemos dizer “única”. Pense que de 1363 a 1918, toda essa região permaneceu unida à Áustria, e a região de Trento é chamada em alemão Welschtirol, ou seja, Tirol Italiano (por conta da língua). Mas, o que poucos sabem, é que a maioria do território da atual Província de Bolzano jamais foi bilíngue.
      O italiano foi uma imposição causada pela anexação. Do mesmo modo, poucos sabem que em vários vales da atual Província de Trento se falava também o alemão e a própria cidade de Trento possuía uma população de língua materna alemã (bilingue, naturalmente), paróquias com missas em língua alemã e um renomado colégio alemão. Toda essa riqueza que hoje sabemos ser importante (o bi- e o trilinguismo) foi cancelada após 1918 por conta do nacionalismo que, em poucos anos, tornou-se o fascismo (e os estragos ocorridos disso na Segunda Guerra, todos sabemos). Em 1920, pessoas idosas simplesmente não conheciam a língua italiana na região da atual Província de Bolzano. A língua alemã foi proibida durante o fascismo e as crianças foram obrigadas a falar o italiano nas escolas. Traduziam-se os sobrenomes (Grossmann se tornava Omenigrandi, Wieser se tornava Campi, Wolf se tornava Lupo etc). O dialeto trentino foi proibido, os sobrenomes de origem alemã eram italianizados. O mesmo ocorreu com a população de língua ladina de Val di Fassa, Val Badia/Gadertal, Val Gardena/Gröden, de Ampezzo/Haydn (esta última separada da província de Bolzano e anexada à província de Beluno).
      Dizer a palavra “Tirol” em 1920 era previsto na lei com punição (multa ou reclusão) e muitos nomes em alemão que hoje você vê escritos nas paredes, foram refeitos somente na década de 1960. Professores que não aceitaram a imposição do governo italiano foram perseguidos, como Josef Noldin, ou até mortos, como Angela Nikoletti (notar que os dois possuem sobrenomes típicos do Tirol Italiano). Em nosso blog publicaremos também sobre essa triste história (com fotos de documentos da época).
      Essa “divisão” entre ‘alemães’ e ‘italianos’ foi feita pela política fascista. Basta pensar que na Primeira Guerra Mundial, a população local defendeu o território do exército italiano e não demonstrou nenhuma vontade de ser anexado ao então Reino da Itália. Não pense que na região “italiana” de Trento foi diferente. 60.000 soldados tiroleses de língua italiana combateram pela Áustria (cerca de 200 pela Itália, muitos dos quais filhos de italianos que residiam no Tirol).
      Foi somente após o segundo conflito mundial que a população local se uniu para que, pelo menos, conquistassem uma autonomia administrativa, haja vista a impossibilidade de um retorno territorial para a Áustria, apesar de o próprio presidente italiano Alcide De Gasperi (nascido austríaco e que sempre se afirmou “um trentino emprestado à Itália”) ter admitido que, caso fosse feito um referendo pelo retorno da região à Áustria, mais de 90% da população da região de Trento era favorável.
      Não é por menos que um famoso ditado em dialeto trentino define a italianidade local: “Taliani ciapàdi col s-ciòp” (“Italianos feitos a base da espingarda”, ou seja, de modo forçado).

      Triste, no entanto, é notar que o ranço fascista é ainda – nos dias de hoje! – bastante notório em Trento e Bolzano. Monumentos com símbolos fascistas ainda estão lá e há grupos radicais (formados, principalmente, por descendentes de famílias italianas transferidas para a região durante as décadas de 1920, 1930 e 1940) que os defendem a unhas e dentes para que não sejam removidos, porque considerados “símbolos pátrios”. Vejam-se, por exemplos, os cortejos de grupos italianos de extrema direita que se reúnem em Bolzano: https://www.youtube.com/watch?v=bsk7UmHusGw

      Tratou-se, sem dúvida, de um caso de Etnocídio. No entanto, uma recentíssima pesquisa do mês de abril demonstrou que o interesse pela cultura local tem crescido consideravelmente entre os jovens das duas províncias. Uma lição que demonstra que uma cultura secular como a tirolesa, não se cancela facilmente.

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  5. Legal mesmo. De qualquer forma pelas pessoas locais com quem falei e falo, hoje até se acha vantajoso este mix cultural de italiano/alemão pois eles afirmam que isso traz benefícios pois entendem o jeito latino mas tbm germânico de ser. Outro fato é que hoje eles não se consideram italianos e tampouco austríacos e sim südtirolers. Trento hoje já é uma cidade bastante variada de culturas e como na maior parte do mundo desenvolvido já uma cidade com significativa massa de imigrantes.

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    • Olá, Fernando.
      Sua observação condiz com a realidade social local. Realmente é considerado muito positivo o bilinguismo na Província de Bolzano (e naturalmente é positivo, além do bom conhecimento do inglês).
      Por conta disso, a Província de Trento está procurando implantar o bilinguismo nas escolas, mas encontra certa dificuldade (talvez por quem considere “perigosa” essa retomada de contato que, há 96 anos atrás, era normal e profícua).
      Em Trento, o tema “bilinguismo” faz parte, ainda – e infelizmente -, do tabú identitário criado pelo nacionalismo italiano de tipo fascista. Mas vale lembrar que o conhecimento da língua alemã e a presença da cultura germânica na província de Trento é antiga e considerável.
      A cidade de Trento é reconhecida como local de encontro das culturas germânica e latina (inclusive pelos órgãos turísticos italianos): https://www.youtube.com/watch?v=nwJxeZrg2Uk

      Ainda hoje, os habitantes do centro-sul italiano pouco diferenciam as províncias e é costumeiro ler textos e artigos que simplesmente se referem às províncias como “Tirolo”.

      Vale lembrar que, em 2013, um movimento político da província de Bolzano (“liberdade sul-tirolesa”, em alemão Südtiroler Freiheit, hoje um partido) fez – com bastante limitação – uma pesquisa para recolher assinaturas de interessados em obter a dupla nacionalidade austríaca e apresentou os resultados ao parlamento austríaco.
      Com todas as limitações por não ter sido uma sondagem oficial que abrangesse todas as cidades (e com todos os prós e contras, já que Áustria e Itália são países membros da União Europeia), o resultado foi superir a 22.000 assinaturas, das quais quase 3.000 na província de Trento (onde a pesquisa não foi realizada).

      Há um vídeo (bastante divertido) no Youtube sobre uma manifestação realizada em 2013 pelos partidos locais da Província de Bolzano: https://www.youtube.com/watch?v=nEvA0f_w7zw

      Sobre o assunto da dupla cidadania, há este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=H4LLuMXkPPs

      E esta página: http://www.welschtirol.eu/doppia-cittadinanza-doppelte-staatburgerschaft/

      Em 2015, um instituto austríaco apresentou o resultado que indica que 89% dos cidadãos austríacos gostaria que a região do Tirol Meridional voltasse a fazer parte do território austríaco. Não ficou claro, no entanto, se seria somente a Província de Bolzano (embora os jornais italianos assim afirmaram), ou se toda a região historicamente denominada Tirol Meridional (incluindo a província de Trento), uma vez que a “memória popular” austríaca considera como ‘Südtirol’ o território que se estende até o Lago de Garda.

      O tema, como se vê, é ainda “delicado” por conta do projeto de lei austríaco que pretende conceder a cidadania austríaca aos habitantes do Tirol Histórico, mas não aos demais territórios historicamente austríacos como Gorízia, Friúl e Trieste: http://diblas-udine.blogautore.repubblica.it/2010/04/28/cittadinanza-austriaca-agli-ex-sudditi-ma-non-a-tutti/comment-page-1/

      Gratos pelo comentário.

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