A estereotipação de uma cultura ancestral quase sempre nasce de um processo duplo: desconhecimento histórico e necessidade identitária. Quando uma comunidade perde — ou transforma — elementos essenciais de sua identidade original, surge a tentação de substituí-los por símbolos mais visíveis, populares ou socialmente valorizados. O caso dos tiroleses de língua italiana da região de Trento é um exemplo emblemático desse fenômeno no Brasil.
Contexto histórico: quem eram os tiroleses trentinos?
Até 1918, a região de Trento (o atual Trentino) fazia parte do Império Austríaco. Seus habitantes eram cidadãos austríacos, ainda que a maioria deles falasse o italiano e os dialetos da região, de origem latina. Culturalmente, os tiroleses estavam inseridos no universo político, administrativo e simbólico da Áustria daquela época, onde o idioma italiano era uma língua oficial do império. Além disso, durante quase mil anos, a região do Tirol histórico esteve unida à Áustria — trata-se de região alpina ligada à tradição cultural alpina e centro-europeia.
Continuar lendo A cultura trentina









