O respeito às origens e a deturpação intencional da História

O Blog Tiroleses no Brasil publica uma contribuição a nós enviada por Gustavo Baretieri, descendente de imigrantes italianos e tiroleses estabelecidos no Rio Grande do Sul. Em seu interessante texto – que publicamos com satisfação – Gustavo traz sua experiência pessoal com as “descobertas” de quem aprendeu a valorizar, no conhecimento das próprias origens, o passado e a história de seus ancestrais imigrantes. Boa leitura!

Franz von Defregger. "A história de S. Nicolau".

Franz von Defregger. A história de S. Nicolau. Óleo sobre tela (século XIX).

“A melhor maneira de criarmos uma nova geração de amigos das coisas permanentes é gerar filhos e ler para eles durante as noites e ensiná-los aquilo que é digno de louvor: o pai sábio é o conservador das antigas verdades. Como posto por Edmund Burke, ‘nós aprendemos a amar o pequeno pelotão a que pertencemos na sociedade’. A instituição que mais precisa ser conservada é a família”

(Russell A. Kirk, 2013: 349).

A instituição que mais precisa ser conservada é a família. Para que possamos conservar a família e também a história, é preciso reunir cada traço de memória que permanece no seio familiar. Antigamente, a sabedoria, os valores e as tradições de nossos antepassados eram transmitidas oralmente de geração em geração, muitas vezes, simultaneamente ao trabalho, que era realizado em conjunto pela família. Nessa era da Internet e da menor convivência entre pais e filhos, os pais, muitas vezes e por razão de necessidade, delegam a criação de seus filhos à escolas integrais e babás, que muito embora desenvolvam inúmeras competências em seu trabalho com as crianças, não fornecem toda aquela bagagem pessoal e de identidade que acompanha o indivíduo e o seu pequeno pelotão ao longo dos séculos. Refiro-me à história pessoal, aquilo que nos diferencia como seres humanos. Não somos todos iguais. Uma das poucas coisas na vida que não podem ser alteradas são essas: o lugar de nascimento e os genitores. Além do código genético, aquela criança herdará involuntariamente a história de seus pais. As intempéries que os pais, avós, bisavós, tataravós sofreram – e as vivências de seus antepassados – poderão constituir-se como uma das melhores oportunidades de aprendizado (exemplos ad eternum de como a história influencia na formação do Ser Humano). E hoje, muitas crianças estão sem história! Muitas delas estão ficando sem base, não sabem de onde vêm e consideram que essa ausência não tenha significado nenhum em suas vidas. Isso não é retórica vazia em conteúdo e em significado, e embora eu não tenha a solução mágica, meu objetivo nessa introdução é mostrar a existência de um problema.

Feito isso, posso relatar que um dos maiores problemas da minha geração (tenho 25 anos) é que muitos jovens consideram seus pais “ultrapassados” e acreditam que têm muito a ensinar e pouco a aprender com eles. Temos olhado para o passado com desinteresse (coisas velhas que não servem para nada e sem possibilidade de conversão em valores monetários), como se o passado não tivesse relação com a própria existência. Mas…

“Felizmente, o passado jamais morre completamente para o homem. O homem pode muito bem o esquecer, mas continua trazendo-o dentro de si. Pois, tal como ele é, em cada época, o produto e o resumo de todas as épocas anteriores. Se penetrar no fundo da sua alma, pode reencontrar e distinguir nela essas épocas diferentes, segundo o que cada uma delas deixou”.

(Fustel de Coulanges, em “A Cidade Antiga)

 

Uma geração, cedo ou tarde, irá surgir querendo descobrir sobre o passado. E foi tentando “penetrar no fundo da minha alma” que comecei a resgatar a minha própria história e a genealogia de meus ancestrais (conseguindo chegar até os anos 1500) e acabei me tornando um pesquisador nos assuntos de imigração. Não apenas aquela “imigração em massa”, como também aquelas internas na Europa. Deixo claro que isso é apenas um hobby, mas levado a sério.

Percebi que, de certo modo, a história da minha família paterna (do Tirol) estava sendo “sabotada” no Brasil: a história da família que carrego no meu nome, os anos de trabalho de meus antepassados em prol da sua terra natal, chegando-se ao ponto de se dizer que, na verdade, trabalharam para outra finalidade. Em redes sociais estão sabotando, inclusive, a secular instituição da qual meus antepassados faziam parte, as Schützenkompanien ou Casini di Bersaglio (organização voluntária que ajuda a manter a segurança das comunidades no Tirol), porque essas colocaram recentemente algumas cruzes sobre os montes de seus territórios de origem para homenagear os mais de 4.000 voluntários tiroleses que faleceram na Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) defendendo as fronteiras do Tirol da ofensiva do exército italiano (mandado para lá praticamente contra a própria vontade).

Minha família, Baratter, é uma família minúscula que tem suas origens no Tirol Italiano, especificamente na Vallarsa, um vale de colonização germânica. Meus antepassados falavam um dialeto bávaro conhecido na região de Trento como cimbro (Zimbarn, Zimbrisch) e, em Vallarsa/Brandtal e Terragnolo/Leimtal, como taitsch, slàper ou slambròt. Tal informação, descobri há pouco tempo, dado que para a minha nona de origem primieròta (de Primiero, no Tirol Italiano), slambròt significa “algo incompreensível”, “impossível de entender”. Também a informação de que meus antepassados falavam esse antigo dialeto germânico foi obtida apenas através de conversas com os anciãos da família. Falar essa língua já não faz parte da rotina da família (pelo menos desde o meu trisavô, nascido em 1880).

Vallarsa na área denominada Vallagarina.

Vallarsa na área de Vallagarina (Província de Trento).

 

Através das redes sociais, participo de discussões onde inúmeras pessoas, habitantes do Tirol e descendentes de imigrantes da atual região autônoma Trentino-Südtirol, acompanham postagens de fotos, vídeos, poemas, programações culturais e alguns diálogos. Em grupos de “Trentinos no Brasil” nas redes sociais são divulgadas algumas mensagens dizendo sobre como os descendentes da região de Trento “se sentem” no Brasil, como é a história da imigração e como as coisas são por aqui. O erro principal consiste em misturar a imigração (austríaca) de tiroleses italianos com a (italiana) de vênetos e lombardos e dizer que tudo é farinha do mesmo saco.

Percebi que, no momento em que se busca colocar todos os indivíduos dentro de um mesmo saco, na realidade o que se pretende é destruir qualquer traço de identidade pessoal em nome de um coletivismo doentio e, sobretudo, inverossímil – se analisado sob o prisma histórico. Isso seria uma espécie de propaganda voluntária anti-Áustria?

Essa ânsia de destruir o passado tirolês em nome de uma “trentinidade” teve início oficial com um decreto fascista:

Decreto assinado pelo governador Guadagnini (trasnferido para a região após a guerra) que proibia à província anexada o uso do secular topônimo “Tirol”.

Decreto assinado pelo governador Guadagnini (trasnferido para a região após a guerra) que proibia à província anexada o uso do secular topônimo “Tirol”.

 

Na época em que meus antepassados vieram do Tirol para o Brasil (1876), aqueles que poderiam se sentir trentinos eram, no máximo, as pessoas saídas dos vilarejos vizinhos à cidade de Trento (distrito trentino do Tirol) porque a designação “trentino”, em sentido regional, surgiu anos depois para os habitantes do território.

Áustria em 1350.

Áustria em 1350.

No Brasil, surgiu apenas anos mais tarde com as associações italianas trentinizantes – e, nesse tempo, meus antepassados que imigraram, já haviam inclusive falecido. Quando meus antepassados chegaram aqui, em 1876, eles eram austríacos, tiroleses, oriundos do Tirol Italiano, de um vale de antiga colonização germânica iniciada no século X. Assim, como no Sul do Brasil houve colonização italiana, austríaca, alemã, etc, naquela área tirolesa (Vallarsa ou Brandtal) houve colonização germânica e vale reiterar que não se tratou de imigrantes que saíram de um estado para outro, mas de confederados germânicos que migraram para vales pertencentes a um mesmo Estado, a mando dos Signori Castelbarco de Lizzana (“senhores de Castelbarco e Lizzana”). Essas comunidades germânicas existem em vários vales do setentrional italiano e o mesmo ocorreu com o estabelecimento dos alemães cimbros nos XIII Comuni Veronesi, nos VII Comuni Vicentini e no Planalto de Folgaria/Vielgereuth, Lavarone/Lafraun e Luserna/Lusern. Enquanto as duas primeiras comunidades deixaram de fazer parte do Sacro Império Romano-Germânico no século XVI (pertenceram à República de Veneza), os “cimbros do Tirol” permaneceram unidos à federação de estados que formava o Sacro Império por mais três séculos, além dos outros cinco anteriores nos quais já faziam parte como território integrante da Áustria.

A região hoje chamada oficialmente “Trentino” faz parte da Itália há menos de 100 anos. Foram oito séculos ligados ao mundo germânico (e austríaco), mesmo se ali a língua que predomina é a italiana, e há menos de um século a região está unida à Itália. Isso não significa que seja justificável qualquer tipo de sentimento anti-italiano (no que se refere à atual conjuntura da Itália). A minha família materna, com a qual convivi, é de origem vêneta e possuo a cidadania italiana. Minha mulher possui origens lombarda e vêneta. Eu não vivo em contradição porque enxergo a diferença existente e vibro com a superação de antigas rivalidades. Penso que reivindicar o debate histórico não se trate de radicalismo e que a vontade de falar sobre o passado austríaco e tirolês, não tenha a finalidade de dividir, mas de oferecer um direito às novas gerações de conhecerem a verdadeira história de seus antepassados. A história não sumiu e nem foi esquecida pelos descendentes, muito embora a Áustria tenha perdido a guerra e sabemos que quem perde a guerra não conta a história.

Reivindico o direito de recordar a história daqueles imigrantes do Tirol que chegaram aqui no Brasil e ajudaram a construir esse “novo mundo”. Eram tiroleses! Eram austríacos! Até mesmo pessoas com um nível elevadíssimo de conhecimento acabaram por tratar dessa imigração de tiroleses de língua italiana como imigração italiana e isso é um erro do ponto de vista histórico e cultural. Descendentes de tiroleses criaram inúmeras indústrias, empresas e participaram ativamente da construção do Brasil. Merecem ser lembrados por aquilo que eram e não por aquilo que seus conacionais se tornaram após a Primeira Guerra. Enquanto o Estado se altera, o conceito de Heimatland (“pequena pátria”, “pátria familiar”) não deixa dúvidas sobre a pertença e é sobre ela que presto atenção sempre que defendo a história dos meus antepassados.

O que fica claro no discurso constante de associações trentinas é a preocupação em fornecer cidadania italiana aos descendentes de imigrantes austríacos, pelo fato o Estado italiano ter incorporado o Tirol Meridional ao seu território. Muitos descendentes – e aí percebo o conflito existencial e sobretudo, aonde consta nossa principal diferença- não estão nem aí para quem foram seus antepassados. Não estão nem aí para o que fizeram e quem ou o quê defenderam. Muitos dos descendentes de trentinos estão atrás de suas origens apenas em função de um vínculo jurídico (cidadania) com a Europa e muitas vezes o objetivo nem é a Itália propriamente. Estão vendendo a história de seus antepassados em troca de uma cidadania? Trata-se de uma relação de compra e venda. Se o fizessem por gosto, tratar-se-ia de opção pessoal.

No entanto, histórias pessoais relatadas em mensagens privadas que recebo nas redes sociais (e também em grupos de cidadania italiana) têm sempre o mesmo teor: “estive em contato com o pessoal do Circolo Trentino da minha cidade, não tenho direito à cidadania, porque na época meus antepassados estavam sob a dominação do império da Austria-Hungria”.

Aquele indivíduo ao ouvir/ler sobre a “Áustria-Hungria” tenta entender se aquilo faz sentido e logo pensa na Hungria; procura ver algo sobre o Magyar e pensa: “Não! Definitivamente isso não tem nada a ver com a minha família! Eles falavam o idioma italiano!”. Ao falar sobre Hungria, aquilo automaticamente afasta o sujeito da pesquisa honesta e, de quebra, ainda o leva a crer que eles sofreram com a dominação de um opressor Império Austro-húngaro, ao passo que se houvesse uma insistência (ou melhor direcionamento) na pesquisa, encontrariam a história do Império Austríaco e aprenderiam que ali eram faladas oficialmente inúmeras línguas e que havia mais de 90% de chance seus antepassados serem alfabetizados, pois, na Áustria do século XIX, a escola era obrigatória.

O Império da Áustria-Hungria que unia o Império Austríaco e o Reino da Hungria. A região do Tirol (em amarelo, no canto esquerdo) integrava os domínios austríacos.

O Império da Áustria-Hungria que unia o Império Austríaco e o Reino da Hungria. A região do Tirol (em amarelo, no canto esquerdo) integrava os domínios austríacos.

 

Veriam, inclusive, que o Tirol Italiano, território de origem de seus antepassados, era parte do Reichkreis/Circolo Imperiale (“círculo imperial”) austríaco desde muito tempo e não se registram conflitos populares por isso em seus séculos de história.

Círculo Imperial (Reichkreis) Austríaco, de 1780, com o Tirol até o Lago de Garda. A cidade de Salzburgo ainda não integrava o círculo e Trento já fazia parte do mesmo.

Círculo Imperial (Reichkreis) Austríaco, de 1780, com o Tirol até o Lago de Garda. A cidade de Salzburgo ainda não integrava o círculo e Trento já fazia parte do mesmo.

 

Isso sem falar que – acreditem se quiser! – muita gente tenta saber se teria direito à cidadania húngara, tamanha é a incompreensão da situação. Fica claro que casos assim ocorrem apenas por questões de obtenção de dupla cidadania. E se muitos dos italianos fervorosos que representam entidades trentinizantes tivessem obtido a cidadania austríaca? Talvez seriam austríacos fervorosos (sendo que, nesse segundo caso, contariam com a história seu favor)?. Até mesmo alguns dos que estão à frente ou fazem parte de associações trentinas tentaram obter cidadania austríaca, mas isso não é permitido por conta da atual legislação da República da Áustria (e pelo tratado de Saint Germain). Os que não puderam obter a cidadania austríaca buscaram “conforto” em uma italianidade trentina? A lei italiana 379 reconhece o direito à cidadania italiana aos descendentes de imigrantes austríacos cujas terras foram anexadas pela Itália após 1918.

Estive presente em alguns jantares de Circolos Trentinos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina onde se dançavam tarantelas (dança típica do sul da Itália). Fora de contexto, essa situação dava a impressão para quem não entende ou teve ligação com a cultura do Tirol de que aquilo era um elemento da cultura de nossos antepassados. Grosso sbaglio

Por fim, que fique claro que o objetivo não é a crítica pela crítica. Mas um convite à reflexão. Acredito que devemos lutar pela liberdade, pelo respeito incondicional e pelo respeito à história de nossos bravos antepassados tiroleses que emigraram buscando melhores condições de vida. O legado e a história de nossos antepassados merece respeito.

Franz von Defregger. Die Märchenrzahlerin. Óleo sobre tela.

Franz von Defregger. Die Märchenrzahlerin. Óleo sobre tela.

 

“A força de uma nação deriva da integridade do lar.”

Confúcio (551 – 479 a.C.)

 

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Referências bibliográficas:

KIRK, Russel Armos Augustin. A política da Prudência. São Paulo: É Realizaçoes, 2013.

COULANGES, Fustel de. A cidade antiga. 1864. Link (livro em PDF).

Telas de Franz von Defregger (1835 – 1921), pintor tirolês. Link.

 

Leia também: https://tiroleses.com.br/2015/04/14/os-140-anos-da-imigracao-que-nao-foi/

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8 comentários sobre “O respeito às origens e a deturpação intencional da História

  1. Não tenho certeza das origens de minha família,não há papeis que comprove,a não ser pela descendência de origem italiana contada por meu avô paterno,José Tirolesi,mas fico encantada com o conteúdo desse site,um verdadeiro documento!Obrigado e parabéns!

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  2. É muito bom ler e nos “atualizar” com belo texto do Gustavo Baretieri. Eu também fico muito triste ao ver Grupos dançando tarantelas(por favor, sem querer ofender ou diminuir qualquer cultura) que não fazem parte dessa cultura.
    Respeito a opinião de todos.

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  3. Bom dia a todos,

    Para que não ocorra algum erro de interpretação: Eu não sou contrário a Tarantella (até simpatizo) e conhecendo alguns sulistas, percebe-se que aquilo é de fato uma expressão de sua cultura. A crítica é o uso das mesmas em um lugar de divulgação e apoio a cultura do tirol/trentina. Costumo não me valer de comparações, mas:
    Imaginem que um CTG no Rio Grande do Sul, presidido por um baiano, abdique de seu espaço de danças e folclore para em meio a uma festividade na semana farroupilha, dedicar a exclusividade de tempo para baianos jogarem/dançarem capoeira? E aí uma pessoa de fora do contexto enxerga aquilo e pensa???? Isso é o Brasil, gaúchos e capoeira – na semana farroupilha é assim…
    Isso é o que tem acontecido nas associações e “jantares trentinos”…

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  4. Para mim, que pesquiso exatamente as reais origens dos meus antepassados por mais de 40 anos, este conteúdo ajuda a compreender um pouco de uma época uma tanto obscura na história da minha gente, cujo o berço de partida para emigração ao Brasil, foi o trentino-alto-adige. Também ajuda um pouco a esclarecer os vínculos familiares austríacos.
    É alentador ver pessoas reconstruindo a história destruída.
    Entendo que o conhecimento do passado é necessário, exatamente para que não se repitam as monstruosidades que outrora colocaram irmãos em trincheiras opostas.
    À medida que avançam as pesquisas, mormente com o emprego dos recursos tecnológicos atuais e a disponibilização de registros históricos através desses meios, fica cada vez mais evidente o entrelaçamento familiar com ramos genéticos variados, levando-nos a construir árvores familiares de mais de 200.000 membros, com vínculos multiculturais espalhados por esta imensidão chamada terra.
    Tanto mais se regride no tempo, mais se descobre o quanto temos de ligações genéticas.
    Tenho minhas raízes no povo latino que precedeu e .deu origem ao povo romano, na qual a minha estirpe/gens fez parte como uma das famílias patrícias.
    Falta-me o elo antecedente ao povo latino, para saber a efetiva origem.
    Então, em toda esta história passada, muitas indagações e mistérios se ofereceram, inclusive no desaparecimento de culturas milenares.

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  5. Parabéns pela busca Deoclides…
    Mesmo não sendo a especialidade dos que escrevem aqui no blog o campo da “Genealogia Genética”, posso oferecer um meio de agregar conhecimento ao que vem sendo desenvolvido na área do Tirol. De modo geral, o campo está apenas dando os primeiros passos na sua melhor estruturação; mas já consta com um projeto na área chamado “DNA TYROL”, o responsável chama-se Chris Rottensteiner… Que responderá em chrisr@popgen.us ou chrisr@j2-m172.info , nos idiomas italiano, alemão e inglês. Esse texto buscou trazer elementos históricos mais relacionados a tradição familiar e a pesquisa documental…
    Agradeço pelo feedback! Boas pesquisas!

    Curtido por 1 pessoa

  6. Boa noite,
    blog fantástico e muito esclarecedor. Vejo também no circulo trentino de minha cidade essa contradição de culturas. Entretanto acredito faltar divulgação e até apoio governamental da Áustria para que essa história não seja perdida. O simples fato da legislação austríaca não permitir a cidadania de tiroleses é quase que renegar os próprios filhos e ignorar a história tão forte e presente no mundo todo dos tiroleses. Acredito que os tiroleses são uma nação, não são austríacos nem italianos, “I tirolesi son bravi soldati” e um tanto órfãos.
    grande abraço,
    Daniel

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    • Prezado Sr. Daniel Giacomelli:
      Obrigado por comentar no blog e ficamos felizes que as informações lhes sejam úteis. Sata-se de um assunto complexo e tema atual na política austríaca. Após a Primeira Guerra Mundial (1918), a então constituída República da Áustria foi proibida de conceder a cidadania austríaca aos descendentes de austríacos dos territórios do extinto Império Austríaco, como a porção sul do Tirol, Gorízia, parte do Friúl e Trieste. Entretanto, essa “ferida” jamais foi curada e existe um projeto de lei na atual república austríaca que pretende conceder a cidadania austríaca aos habitantes do Tirol meridional (Bolzano e Trento), que organizaram abaixo-assinados e manifestações públicas nesse sentido.
      Sobre o assunto, recomendamos: http://www.welschtirol.eu/doppia-cittadinanza-doppelte-staatburgerschaft/
      Não se sabe se a lei se estenderia aos descendentes de imigrantes austríacos saídos do Tirol antes de 1918. Sabe-se que aos descendentes de imigrantes austríacos imigrados após esse período, é possível obter a cidadania austríaca/europeia. Todavia, logo após a notícia do projeto de lei em questão ter sido divulgada no Brasil, em 2011, a Ong italiana ”Trentini nel Mondo” publicou em seu site brasileiro uma nota que consideramos equivocada e tendenciosa, porque omite uma série de pontos importantes e não considera pontos históricos irrefutáveis (muitos dos quais publicados neste Blog).
      O motivo da união do Tirol com a Áustria é histórico e independe dos três idiomas falados no Tirol (o alemão, o ladino e o italiano), pois a região integrou o domínio austríaco de 1363 a 1918: como terra unida ao Ducado da Áustria a partir de 1363, parte do Círculo Imperial Austríaco de 1511 a 1803, província semi-autônoma do Império Austríaco até 1804 a 1867 e, finalmente, província imperial da Áustria após o acordo político que deu início ao Império Austro-húngaro (1867 – 1918).
      Atenciosamente,
      Everton Altmayer

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