O tirolês que fundou Brusque – SC

O Blog Tiroleses no Brasil recorda o barão Maximilian von Schneeburg, engenheiro austríaco nascido no Tirol, fundador e primeiro diretor da então Colônia Itajahy que compreende atualmente as cidades catarinenses de Brusque, Nova Trento, Botuverá, Guabiruba e Vidal Ramos. É considerado o fundador de Brusque por dar início ao primeiro núcleo urbano daquela que se tornaria uma das principais cidades de Santa Catarina.

Nascido em 1799 no castelo Schneeburg (Schloss Schneeburg), em Mils, localidade próxima à cidade de Hall, no distrito de Innsbruck, na província do Tirol (Império Austríaco), o barão (Freiherr) Maximilian von Schneeburg era filho de uma antiga família de nobres tiroleses. Chegou ao Brasil em 1860, a convite de Dom Pedro I, então rei de Portugal, para que auxiliasse seu filho, o imperador do Brasil, Dom Pedro II, na administração e povoamento da província de Santa Catarina.

Por causa do casamento de Dom Pedro I de Bragança com a arquiduquesa austríaca, Leopoldina de Habsburgo, as relações políticas entre Portugal, Brasil e a Áustria se tornaram sólidas. Com a proclamação do Império do Brasil em 1840, o Brasil era frequentado por muitos nobres e cientistas austríacos, que auxiliaram a corte brasileira na organização do novo império dos trópicos.

Dom Pedro I, primeiro imperador do Brasil e rei de Portugal, Dona Leopoldina de Habsburgo, arquiduquesa da Áustria e primeira imperatriz do Brasil, e Dom Pedro II, segundo e último imperador do Brasil.

O barão Maximiliano de Schneeburg se instalou em Santa Catarina acompanhado de 55 imigrantes alemães vindos do grão-ducado de Baden, fundando em 4 de agosto de 1860 a Colônia Itajahy (Itajaí), território que hoje compreende os municípios de Brusque, Nova Trento, Botuverá, Guabiruba e Vidal Ramos.

O barão implementou a instalação da colônia e administrou o primeiro núcleo da margem esquerda do Vale do Itajaí, organizando a sede da colônia no território onde hoje está a cidade de Brusque. Por esse motivo, é considerado o fundador da cidade por ter dado início ao primeiro núcleo urbano no território brusquense.

Mapa estatístico da Colônia Itajahy de autoria do barão tirolês Maximilian von Schneeburg. Fonte: acervo do site Brusque Memória (www.brusquememoria.com.br).
Detalhe do mapa da Colônia Itajahy: assinatura do diretor da colônia, Barão de Scnheeburg.

Em outubro de 1861, o barão teve de se afastar da administração da colônia por motivos de saúde, passando-a ao político João André Cogoy Júnior. Retornou em dezembro e reassumiu a direção em fevereiro de 1862. Em janeiro de 1866, recebeu do imperador Dom Pedro II o título de cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa.

Mapa da Colônia Itajahy, de autoria do barão de Schneeburg, com os nomes das primeiras famílias e seus respectivos lotes de terra. Fonte: acervo do site Brusque Memória (www.brusquememoria.com.br).

Todavia, sua saúde não estava totalmente recuperada e, em abril de 1867, solicitou sua licença do cargo, deixando a colônia e se transferindo para o Rio de Janeiro, onde residiu junto à corte brasileira. Foi exonerado do cargo e retornou para a Europa em dezembro de 1867, ano em que foi instituído o Império da Áustria-Hungria, quando o imperador da Áustria, Francisco José de Habsburgo, assumiu a coroa do reino da Hungria.

O barão de Schneeburg retornou ao Tirol, depois se transferiu para a Boêmia (atual república tcheca), onde faleceu em 16 de setembro de 1869, na localidade de Franzensbad (Františkovy Lázné).

A antiga Colônia Itajahy receberia, posteriormente, muitos imigrantes austríacos, vindos de territórios do antigo império dos Habsburgo, como do Tirol e da Boêmia. No ano de 1875, muitas famílias tirolesas se instalaram em Nova Trento, Botuverá e Guabiruba, onde até hoje encontramos centenas de sobrenomes tiroleses, bem como traços culturais como o dialeto trentino, a culinária e manifestações folclóricas.

Os Schneeburg

A família Schneeburg era originária da localidade de Schneeberg, em Salthaus, cidade da região de Passeiertal (Val Passiria), atualmente na Itália (Tirol do Sul). No século XVI (1553), Hans Schneeberger (“de Schneeberg”) se estabeleceu em Mils, localidade próxima a Hall, importante cidade tirolesa no distrito de Innsbruck (capital do Tirol austríaco), famosa na Idade Média por conta das minas de prata e do cunho de moedas que fizeram do condado tirolês uma importante região da Europa.

O castelo da família começou a ser construído em 1581 inicialmente com uma torre e uma fortificação, sendo batizado como Schneeburg. O nome da localidade de origem da família, Schneeberg (“montanha de neve”), inspirou o nome da torre fortificada que se tornaria o castelo de Schneeburg (“forte da neve”). Tudo isso após o filho de Hans Schneeberger, Ruprecht, receber o título de nobreza por parte do conde do Tirol e arquiduque da Áustria, Ferdinando II de Habsburgo, tornando-se um Freiherr (“senhor livre”, barão), de modo que a família passou a ser identificada como Schneeberger von Schneeburg.

Castelo Schneeburg em Mils, Tirol (Áustria).

Os Schneeburg estão entre as mais antigas famílias tirolesas. Com o passar dos séculos, obtiveram mais propriedades no Tirol (atualmente na Áustria e Itália): em Salthaus (Passeiertal), Stumm (Zillertal), Rubein (perto de Merano), Lichtenthurm e Kränzl (Tirol do Sul). Com as linhas de sucessão hereditária, o castelo passou em 1802 a propriedade para sua filha, que posteriormente a passou a outra família de barões tiroleses, os Giovanelli e, posteriormente, à família Kripp.

Brasão da família Schneeburg (acervo da biblioteca do museu Ferdinandeum, Innsbruck).
Brasão do ramo da família do barão Maximilian von Schneeburg.

Após décadas de pesquisa na Europa e demais cidades brasileiras, a Casa de Brusque divulgou em 2020 um retrato “inédito” do barão Maximilian von Schneeburg, que estava em Santa Catarina. Os historiadores Celso Deucher e Roque Dirschnabel encontraram o quadro no Palácio Cruz e Souza, sede do Museu Histórico de Santa Catarina, entre demais materiais da reserva técnica que não estavam em exposição. Trata-se de uma pintura feita pelo pintor francês Louis-Auguste Moreaux, que conviveu com o barão de Schneeburg em Petrópolis anos antes de o barão assumir a colônia catarinense. Com o apoio de patrocinadores, foi feita uma réplica do retrato que está na Casa de Brusque, bem como réplicas menores que foram encaminhadas às prefeitura e câmaras de Brusque e Guabiruba.

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Fontes:

Jornal O Município (https://omunicipio.com.br/casa-de-brusque-divulga-primeira-imagem-de-barao-de-schneeburg-fundador-da-cidade/)

Revistas Cartum (https://revistascartum.blogspot.com/2020/02/o-rosto-do-barao-de-schneeburg.html)

Museum Ferdinandeum, Innsbruck Tirol (https://www.tiroler-landesmuseen.at/)

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